Era de Noite na Rua de S. Acácio, não é que não fosse nas outras ruas também, mas falo desta por ser especial. Porquê? Calem-se e deixem-me continuar a narrar.
Na rua estranha e obscura de S. Acácio, morava um casal homossexual com os seus…
…AHAHAHAHAHAHAH…
Estou a brincar com vocês, a sério, voltem ao livro estava mesmo a brincar! Mas digam lá que não teve piada? Oh, vá lá, não façam essas caras, eu prometo que vou continuar a história, sem casais homossexuais, prometo.
Ora bem, onde é que eu ia… Ah já sei…
Nessa rua estranha e obscura, onde as pessoas mal conseguiam dormir, por causa dos cães a ladrar a noite toda. Onde a escuridão reinava – devido a não fazerem uma boa instalação eléctrica na rua – morava um casal com os seus dois filhos: Gustavo e Roberto.
O mais novo tinha nove anos, bom aluno e a vida corria-lhe bem no entanto, as pessoas olhavam-no de lado, não só por ser abelhudo, mas também por se “fazer de convidado” em muitas situações.
Gustavo, o mais velho, tinha quinze anos, não só era mau aluno como também uma péssima pessoa. Utilizava a sua estupidez para organizar pequenos esquemas, ou para roubar guloseimas na mercearia do senhor Abílio, ou então para conseguir tirar boas notas nos testes – coisa que raramente acontecia. Naquela noite, os rapazes iam ficar sozinhos em casa. Os seus pais tinham um jantar marcado, decidiram então deixar os pequenotes em casa. Enquanto esperavam ansiosos pela saída dos pais, Roberto roía as unhas por causa do nervosismo.
- Calma Roberto – disse Gustavo baixinho para o casal não os ouvir – Eles estão quase a ir embora! Quando eles saírem, descemos até à sala e vemos televisão a noite toda!
- Boa! Eu faço pipocas!
O irmão mais velho olha para Roberto com uma cara esquisita. Uma cara que dizia claramente “’tás parvo?”
- Tu és doido? Não fazes pipocas nenhumas! Não sabes cozinhar e ainda tenho muitos anos de vida pela frente.
Gerou-se um silêncio. Eles não conseguiam aguentar mais… Os pais tinham de ir EMBORA! Finalmente, o som do trancar da fechadura, quebra o silêncio, fazendo com que os rapazes dessem um salto repentino das suas camas. Desciam então a grande escadaria encaracolada que dava acesso à sala. A escuridão era tanta, que a única luz, que formava umas sombras assustadoras na parede, era a luminosidade das ruas.
- Espera, eu acendo a luz! – disse o irmão mais novo.
As sombras tinham então desaparecido. A sala tinha um aspecto bastante velho, por cima das cadeiras, podia-se ver algum pó.
- Tem piada, acho que alguém vai ter de despedir a empregada.
Havia uma pequena estátua dourada na prateleira. Gustavo pegou nela.
- Gustavo faças o que fizeres, volta a pôr a estátua no sítio!
Roberto estava amedrontado pelo simples facto de que o irmão inconsciente pudesse parti-la.
- Calma irmãozinho! É só uma estátua – disse Gustavo ao mesmo tempo que colocava a estátua no lugar.
De repente, uma faísca verde fez-se ver. Os irmãos viraram-se e lá estava um livro. Era castanho, de capa dura, que apresentava já alguns aninhos. Durante uns breves segundos, Roberto e Gustavo ficaram especados a olhar para o livro, porque estaria a fazer aquilo? Para que raio foi a faísca?
- Uau! O que raio vem a ser isto? – disse Roberto
Gustavo estava boquiaberto, nunca tinha visto algo parecido na sua vida. Era um lindo espectáculo de faíscas verdes, parecia uma espécie de fogo-de-artifício. Rapidamente, esse “lindo espectáculo”, tornou-se numa batalha campal, fazendo com que os pequenos se escondessem atrás do sofá.